Você já ouviu falar em Síndrome de Burnout?

Talvez pouco conhecido pelo nome, quadro de estafa e esgotamento profissional tem se tornado frequente no ambiente corporativo; saiba como evitá-lo.

Por Heverton Nascimento

A entrada no quarto trimestre do ano tem algumas simbologias em determinados ambientes de trabalho. É a reta final. São três meses para acabar o ano! Bastante comum, mesmo em departamentos que não têm necessariamente uma meta a ser batida, que o profissional considere adequado e – essencial – se dedicar ainda mais ao trabalho, para fechar o ano zerado. Sem nenhuma pendência! Quem nunca?

Mas a questão toda pode se transformar numa armadilha para o profissional, principalmente se ele já estiver num processo, geralmente imperceptível, de excesso de trabalho, pouco descanso, cobranças exageradas e acirrada autocobrança. A conjuntura pode levar a pessoa ao quadro da chamada Síndrome de Burnout.

“De todos os pacientes que procuram o consultório, cerca de 80% apresentam depressão, transtorno de ansiedade ou a Síndrome de Burnout”, explica Gabriela Almeida, psicóloga, consultora e professora. “O indivíduo tem de se olhar e observar se algo está fora do padrão de comportamento, como oscilação de humor, falta de energia, muito sono ou evitando a socialização”, explica a doutora.

Quando está no que especialistas chamam de fase 2, o paciente com Síndrome de Burnout pode sentir com frequência dores de cabeça ou transtornos no apetite, devido às disfunções hormonais e de sinapses. “O quadro mais grave deixa a pessoa sem vontade de levantar da cama, sem querer ir para o trabalho”, explica Gabriela.

Como se nota, qualquer pessoa exposta à rotina estressante de trabalho por longos períodos pode desenvolver o problema. Por isso, as férias anuais e os períodos de descanso em fins de semana devem ser respeitados. De acordo com Heloisa Capelas, CEO do Centro Hoffman, um ponto para o desenvolvimento do distúrbio é a falta de limite e de autoconhecimento, que não permite ao indivíduo perceber o quanto está cansado. “A pessoa vai pegando mais trabalho e fazendo mais horas extras, e começa a ser reconhecida por isso, de modo que pode alimentar ainda mais a rotina estressante, até adoecer”, explica Heloisa. “O autoconhecimento é fundamental para ficar tranquilo em saber negar tarefas e reconhecer o próprio limite em quantidade de trabalho. A exigência nem sempre vem de fora. Às vezes vem do próprio indivíduo que quer ser o melhor e quer sempre se superar”, acrescenta a diretora do instituto com presença em 15 países com terapias para o autoconhecimento.

O autoconhecimento também é apontado por Gabriela como uma ferramenta para evitar que se caia na rotina que pode se desenvolver até a Síndrome de Burnout. “A meditação também é indicada, assim como exercícios físicos”, explica. “Mas a terapia, a ajuda profissional, é fundamental. E muitas vezes, com psicólogo e psiquiatra, já que podem ser necessários remédios”, finaliza.

Se você acha que está trabalhando demais, tem sentido alguns dos sintomas descritos nesta matéria, não permita que o quadro avance. Procure o Ambulatório no ramal 0590 ou uma sessão de terapia com um profissional. Mente e corpo saudáveis são fundamentais para exercer o seu trabalho e colaborar com a empresa.